domingo, 28 de junho de 2009

Coralie Clément

Ontem fui assistir ao show de Coralie Clément, e que surpresa eu tive ao ouvi-la cantar: sua música é a fusão de uma voz doce e sussurrante com os sons suaves de piano e violão. Tão bossa nova e tão francesa!
Eu, que amo infinitamente bossa nova, só poderia ter ficado encantada com as belas músicas dessa cantora francesa linda.

domingo, 21 de junho de 2009

Ela dança no sétimo céu

e acredita que é outro país.

domingo, 24 de maio de 2009

Violino


Quando você toca o violino, eu sou a música: libera-me no ar.

dentro do universo: o universo da flor

O mundo se apresenta aos teus olhos,
os objetos te olham
e esperam.
Os teus dedos de amor tocam,
os objetos permanecem livres
e esperam.
As tuas palavras explicariam
realidades que existem no escuro,
a noite espera.
Mas a tua existência,
homem ausente,
ajusta-se ao universo
silencioso da flor
e nada espera.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

...

" Um único objetivo surgia diante de Sidarta; o objetivo de tornar-se vazio, vazio de sede, vazio de desejos, vazio de sonhos, vazio de alegria e de pesar. Exterminar-se distanciando-se de si mesmo, cessar de ser um eu, encontrar sossego, após ter evacuado o coração; abrir-se ao milagre, com o pensamento desindividualizado - eis o que era o seu propósito."

"Nada neste mundo preocupou-me tanto quanto esse eu,esse mistério de estar vivo, de ser um indivíduo, de achar-me separado e isolado de todos os demais, de ser Sidarta! E de coisa alguma sei menos do que sei quanto a mim, Sidarta!"

"Sidarta percebeu claramente, com maior nitidez do que nunca, que toda a vida é indestrutível e cada instante, eterno."

Trechos do romance Sidarta, de Hermann Hesse

domingo, 10 de maio de 2009

retalhos

No tempo em que os raios de sol tocavam levemente a pele e pareciam iluminar todo o mundo, eu pensava que os dias vividos eram meus. O tempo constituía-me e gastá-lo era fazer-me maior e forte. Desse modo pueril, eu tocava o azul das manhãs e das tardes alimentando-me dos instantes capturados da alegria excessiva que eu sentia ao rodar a ciranda.
Hoje, a memória daqueles instantes é um enfraquecido raio emitido pela memória do tempo. E o azul real de outrora, neste lírico presente, é apenas uma metáfora.
Antes do mergulho profundo, descobri que o tempo constitui-se de mim e que a sucessão dos dias preenche-me de tudo o que faz ser o que sou, no entanto, e paradoxalmente, desvanece o ser que eu sou.
Os dias vividos não são meus.
Não sou eu quem constituo-me do tempo, contudo o tempo constitui-se de mim. Assim, na memória do tempo há toda a minha existência. Ao passo que na minha memória apenas há alguns raios que iluminam passagens alegres e tristes. E esta é a minha maior pobreza: a de não poder reviver os dias que foram meus e não poder lembrá-los integralmente.
A memória é um caixote que guarda pequenos fragmentos da riqueza dos dias que se vão.
Há um tempo para a memória. Há uma memória do tempo.
Há apenas retalhos que permanecem ao passar o vento.

sábado, 9 de maio de 2009