terça-feira, 14 de dezembro de 2010

foi um sacrifício para o passarinho voar. de nunca usar as asas, elas pareciam mortas. e depois do abandono, ele mesmo sentia-se morto. e o silêncio e a solidão fizeram-no ouvir uma vozinha sussurrante que estava presa em seu interior. Mas ele estava tão inseguramente indefeso, que teve medo da vozinha ... e havia tanto tempo para ele gastar, mas sozinho? e sem saber voar? o tempo passou e cansado de nada fazer, o passarinho começou a bater as asas (aeróbica das aves). depois, sozinho, sem o olhar de ninguém sobre ele, pulou uma pedrinha. depois vieram tantas outras pedras, que ele poderia se inscrever como pulador de obstáculos nas próximas olimpíadas dos bichos... a grande superação aconteceu quando nem ele mesmo esperava: havia um rio, havia duas margens, e ele pensou que talvez pudesse transpassar o rio e não se molhar, talvez, as asinhas pudessem funcionar e quem sabe ... tremedeira, coraçaozinho acelerado, um, dois, um novamente, respiração ofegante, ele tinha asas, ele desde que se lembra era um pássaro , e tr ... tr ... três ... uooooopa ...não é que era tão bom? o ar acaricia o rosto! pensou-sentiu o passarinho e voava tão levemente, contente, agora sim inteiro! agora sim um voador! agora sim um pássaro de verdade!

(para lívia e joão)

quinta-feira, 5 de novembro de 2009



a Terra é azul e as estrelas estão por toda parte

os passarinhos

Os
passarinhos
que
bem
te
viam




(Os passarinhos que bem-me-viam. guimarães rosa)

domingo, 18 de outubro de 2009

entre nós:
apenas um espaço
apenas um tempo

Lírio no Jardim

terça-feira, 6 de outubro de 2009

.........

ancing Queen"

Era outro o tempo. De tudo, não sabia. De mim, ai de mim, não sabia.
Havia apenas a impressão de ser: levemente triste, levemente melancólica.
O que eu seria em alguns instantes?
Seria a primeira vez de muitas experiências:
A madrugada toda em festa. Amigos recentes. A primeira tequila e tudo e tudo transtornado. Tanta música a mover os corpos. Entre os rostos, nenhum nome.
Eu, adolescente, nunca mais criança.
Era o início da liberdade?
O que descobriria além da fumaça perfumada?
Porque eu era também cinza.
De repente: silêncio.
A fumaça e a tequila a queimarem em mim.
De repente: “Dancing Queen”.
Meu Deus!
Ela flutuava.
Os seus olhos eram verdes e a sua pele era dourada.
Meu Deus!
Seus olhos prendiam-me em uma imensidão cintilante.
Ela dançava.
Era a alegria fora de mim. Sim. Ela dançava todas as cores como rainha.
Para mim, uma deusa.
Em um relance, vi rapazes corarem.
Em um relance: Ela era ele? Eu era ele? Ela era eu?
Tudo transtornado: os meus olhos viam a rainha.
O menino transformado em rainha e eu transformada em menino?
Eu corei. Era o amor. Era o instante. Era a tequila. Era “Dancing Queen”.
Tanta irradiação. Eu já não era levemente melancólica. Eu era brilhante.
Foi a primeira vez. Ela sorriu. Ela era toda transformada em deusa. Ela era a alegria que ainda estou sempre a buscar.
Ela era ... fiquei comovida.
A beleza bota a gente comovida como o diabo. Mas eu não tinha lido Bandeira e não sabia que se podia chorar, sendo ... não sendo mais criança. Faltava-me linguagem para explicar que ela seria sempre a rainha dançando, em outro tempo, dentro em mim.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Conversa com Naná

- Tia Carla, olha só a borboleta que eu peguei.
- Que linda borboleta colorida. Mas se você continuar prendendo-a entre seus dedos, ela vai morrer.
- Mas, então, o que é morrer?
- Ah, Naná, morrer é deixar de fazer aquilo de que se gosta.
(Silêncio)
- Então, já sei: morrer é deixar de voar!
- Isso mesmo.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

.
o mês é setembro:
esperemos pela primavera.