sexta-feira, 12 de outubro de 2012


Todos os dias, esforço-me para ser grata com alegria, enquanto minhas mãos tremem dentro do mundo. Meus olhos cansados dormem debaixo do sol e as crianças crescem coloridas.
Os sonhos continuam perfeitos sob a superfície estilhaçada.
E o céu, eternamente azul, vela as almas quebrantadas.

Eu comungo a tua dor e reconheço os teus olhos ternos. No fim de tudo, ninguém está sozinho no ponto da solidão.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012


Ela está nua diante dos olhos que dormem.

Lights will guide you home


sexta-feira, 14 de setembro de 2012


"É somente a história das nossas generosidades que torna este mundo tolerável"
 Robert Louis Stevenson

terça-feira, 5 de junho de 2012

Resplandecente amor comunicava o verbo e, em silêncio meditativo, os homens ouviam e não podiam compreender. Remoto tempo, templo de contemplação. A palavra subjaz em mistérios de outras eras e em silêncio espera a verdadeira comunhão.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

cata-vento

cata histórias
põe no vento
cata auroras
põe no tempo
cata sonhos
passatempo
cata-flores
cata-cores
cata-amores
cata-vento
Espalha a vida:
alumbramento!

quarta-feira, 16 de maio de 2012


raio de sol
esfarelo de lembrança
pés, mãos, criança
atrás do sofá
manhã de brincadeira
cheiro de poeira
devaneio 
sonho,  sonho , sonho ...

domingo, 13 de maio de 2012

...

"Porque estou certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as postedades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus." (Romanos 8:38)

quinta-feira, 10 de maio de 2012

o que foi visto


Derrame o teu olhar sobre o mundo, dissemine-se em instantes de contemplação.
Não há absoluta dissolução, pois a tua alma permanece em tudo o que os teus olhos viram.

(Em uma árvore antiga de uma rua longínqua vive toda a tua infância)

domingo, 6 de maio de 2012

Azul

Amplia desmesuradamente o ínfimo instante
Expande no espaço intensa energia
Irrefreável vibração
densa alegria
Retém no corpo findável, lembrança inesquecível
O teu olhar é toda profundidade em uma superfície azul ...

terça-feira, 24 de abril de 2012

Nostalgia

borboleta de asas coloridas presa entre os dedos da menina:
- viver é habitar o ar...

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Porque se quebram entre os dentes as coisas mais importantes: aquelas palavras que não ousamos nunca dizer. Elas pesam e ficam para sempre em nós ...

(invece no - tradução absolutamente livre)

sábado, 31 de março de 2012

a espera

multifacetado é o desejo que espera
e espera
num tempo o não-tempo
do sem fim
para enfim
dissipar-se em eterno beijo
(Plenitude da infinita vontade).

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

foi um sacrifício para o passarinho voar. de nunca usar as asas, elas pareciam mortas. e depois do abandono, ele mesmo sentia-se morto. e o silêncio e a solidão fizeram-no ouvir uma vozinha sussurrante que estava presa em seu interior. Mas ele estava tão inseguramente indefeso, que teve medo da vozinha ... e havia tanto tempo para ele gastar, mas sozinho? e sem saber voar? o tempo passou e cansado de nada fazer, o passarinho começou a bater as asas (aeróbica das aves). depois, sozinho, sem o olhar de ninguém sobre ele, pulou uma pedrinha. depois vieram tantas outras pedras, que ele poderia se inscrever como pulador de obstáculos nas próximas olimpíadas dos bichos... a grande superação aconteceu quando nem ele mesmo esperava: havia um rio, havia duas margens, e ele pensou que talvez pudesse transpassar o rio e não se molhar, talvez, as asinhas pudessem funcionar e quem sabe ... tremedeira, coraçaozinho acelerado, um, dois, um novamente, respiração ofegante, ele tinha asas, ele desde que se lembra era um pássaro , e tr ... tr ... três ... uooooopa ...não é que era tão bom? o ar acaricia o rosto! pensou-sentiu o passarinho e voava tão levemente, contente, agora sim inteiro! agora sim um voador! agora sim um pássaro de verdade!

(para lívia e joão)

quinta-feira, 5 de novembro de 2009



a Terra é azul e as estrelas estão por toda parte

os passarinhos

Os
passarinhos
que
bem
te
viam




(Os passarinhos que bem-me-viam. guimarães rosa)

domingo, 18 de outubro de 2009

entre nós:
apenas um espaço
apenas um tempo

Lírio no Jardim

terça-feira, 6 de outubro de 2009

.........

ancing Queen"

Era outro o tempo. De tudo, não sabia. De mim, ai de mim, não sabia.
Havia apenas a impressão de ser: levemente triste, levemente melancólica.
O que eu seria em alguns instantes?
Seria a primeira vez de muitas experiências:
A madrugada toda em festa. Amigos recentes. A primeira tequila e tudo e tudo transtornado. Tanta música a mover os corpos. Entre os rostos, nenhum nome.
Eu, adolescente, nunca mais criança.
Era o início da liberdade?
O que descobriria além da fumaça perfumada?
Porque eu era também cinza.
De repente: silêncio.
A fumaça e a tequila a queimarem em mim.
De repente: “Dancing Queen”.
Meu Deus!
Ela flutuava.
Os seus olhos eram verdes e a sua pele era dourada.
Meu Deus!
Seus olhos prendiam-me em uma imensidão cintilante.
Ela dançava.
Era a alegria fora de mim. Sim. Ela dançava todas as cores como rainha.
Para mim, uma deusa.
Em um relance, vi rapazes corarem.
Em um relance: Ela era ele? Eu era ele? Ela era eu?
Tudo transtornado: os meus olhos viam a rainha.
O menino transformado em rainha e eu transformada em menino?
Eu corei. Era o amor. Era o instante. Era a tequila. Era “Dancing Queen”.
Tanta irradiação. Eu já não era levemente melancólica. Eu era brilhante.
Foi a primeira vez. Ela sorriu. Ela era toda transformada em deusa. Ela era a alegria que ainda estou sempre a buscar.
Ela era ... fiquei comovida.
A beleza bota a gente comovida como o diabo. Mas eu não tinha lido Bandeira e não sabia que se podia chorar, sendo ... não sendo mais criança. Faltava-me linguagem para explicar que ela seria sempre a rainha dançando, em outro tempo, dentro em mim.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Conversa com Naná

- Tia Carla, olha só a borboleta que eu peguei.
- Que linda borboleta colorida. Mas se você continuar prendendo-a entre seus dedos, ela vai morrer.
- Mas, então, o que é morrer?
- Ah, Naná, morrer é deixar de fazer aquilo de que se gosta.
(Silêncio)
- Então, já sei: morrer é deixar de voar!
- Isso mesmo.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

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o mês é setembro:
esperemos pela primavera.